António Almeida da Costa
António Almeida da Costa

António Almeida da Costa (1832 - 1915) e D. Emília de Jesus Costa (1837 - 1914)

António Almeida da Costa (1832-1915) foi um industrial filantropo e humanista influente no concelho de Vila Nova de Gaia e na vida da Misericórdia, apesar desta ter sido fundada, somente, catorze anos após a sua morte. O Benemérito veio de S. Domingos de Rana, concelho de Cascais, quando tinha 28 anos, para a cidade do Porto, onde, em 1860, abriu uma oficina de mármores.

Na qualidade de Mestre Canteiro executou o pedestal para a estátua de D. Pedro V, de autoria do Mestre Teixeira Lopes (pai), monumento que foi erigido em 1863 na Praça da Batalha, no Porto.

António Almeida da Costa, em colaboração com o Mestre Teixeira Lopes, terá sido o grande obreiro da Fábrica Cerâmica e Fundição das Devezas, que, na época, era a unidade fabril mais importante do género que existia na Península dedicada à produção de louças domésticas, objetos de arte decorativa, azulejos, mosaicos e telha.

Em 1881 trabalhavam nesta fábrica 180 pessoas. Em 1886, a Fábrica Cerâmica e Fundição das Devezas abriu uma filial em Pampilhosa do Botão para desenvolver os seus negócios. Sempre em crescente progresso, a fábrica, em 1887, já dava trabalho a cerca de 700 funcionários.

Adquiriu e construiu vários imóveis em Vila Nova de Gaia e no Porto, e, certamente, fruto do seu gosto artístico, utilizou uma arquitetura baseada em linhas mouriscas, como nos casos dos prédios destinados à sua residência e ao Asilo e Creche que fundou, ambos na área das Devesas, em Vila Nova de Gaia.

A boa fortuna que amealhou, o facto de lhe ter falecido a esposa e de não terem tido descendentes acabaria por trazer ao de cima a grande bondade do seu coração para com a gente da terra onde ganhara a vida.

Em testamento, depois de dispor de algumas verbas a favor de familiares, instituições e entidades diversas, legou o remanescente da sua grande fortuna – terrenos, prédios, etc. – ao Asilo António Almeida Costa e Creche D. Emília de Jesus Costa (nome de sua falecida esposa), cujo funcionamento confiou às Creches de Santa Marinha. Para isso, designou uma Comissão Administrativa, conferindo-lhe o direito de, se tal se mostrasse aconselhável e conveniente, transferir a direção e manutenção do Asilo e da Creche para quem melhor pudesse garantir o seu bom funcionamento. Foi a partir desta disposição que em 1937 a Misericórdia de Gaia receberia este importante legado e património afeto, dando continuidade a esta obra social.