Celina Magalhães Tavares Bastos de Almeida Castelo Branco
Celina de Magalhães Tavares Bastos de Almeida Castelo Branco

1890 - 1965

A benfeitora da Misericórdia de Gaia era filha de D. Isolina Magalhães Tavares Bastos e de José Tavares Bastos, e foi casada com Júlio Dias de Almeida Castelo Branco. Quando faleceu, com 75 anos, no estado de viúva, sem filhos ou herdeiros forçados, nem ascendentes ou descendentes, legou à Misericórdia de Gaia a sua Quinta do Vale, na freguesia da Madalena.

Trata-se de uma basta e agradável propriedade, com casa apalaçada, de onde a vista se pode espraiar por terras da Madalena e de Valadares, assim como, ao longe, por uma extensa faixa do Oceano Atlântico.

D. Celina era uma pessoa extremamente caritativa, bem conhecida das gentes da Madalena dada a sua generosidade para com os mais infelizes.

Nenhum pobre que lhe batesse à porta deixava de receber algum conforto. A benemérita, antes de falecer, praticou “obra de misericórdia” ao legar a alguns amigos e a várias instituições de caridade uma parte dos seus haveres.

À Misericórdia de Gaia legou o remanescente da herança, no qual se incluía a já referida Quinta do Vale e a casa de habitação existente nessa propriedade, onde tinham vivido os seus pais e ela própria, com a condição da Misericórdia “instalar e pôr a funcionar serviços de assistência aos pobres das freguesias da Madalena e de Valadares, dando à Misericórdia liberdade de escolha dos serviços e sua manutenção, desde que esta considerasse que o seu desejo era o de ir ao encontro das necessidades assistenciais dos pobres das ditas freguesias, resultantes da velhice ou da invalidez prematura”.

A Benemérita desejava ainda que, na “medida do possível, se facultasse o internamento dos ditos pobres e se estabelecesse uma consulta de clínica geral e de tratamento”.

Finalmente, desejava “que à casa e terrenos fosse dado o nome do seu pai, José Tavares Bastos” para que assim se lhe prestasse homenagem como homem de bem que era.

A Misericórdia de Gaia, graças à bondade de D. Celina, cumpriu e ultrapassou os seus desejos ao construir na casa herdada, após renová-la e aumentá-la, o Lar José Tavares Bastos, atualmente designado de Equipamento Social Tavares Bastos, para atendimento à Terceira Idade.

A Misericórdia de Gaia assegurou os serviços médicos, de enfermagem, de clínica geral e de cardiologia, assim como uma pequena enfermaria, bem como todos os demais cuidados de saúde necessários para os utentes.